Hormônio do crescimento falsificado e medicamento contra câncer furtado são apreendidos pela Anvisa

Hormônio do crescimento falsificado e medicamento contra câncer furtado são apreendidos pela Anvisa

Apesar de possuir uma das legislações sanitárias mais rigorosas do mundo e sistemas cada vez mais avançados de rastreabilidade, casos de falsificação e roubo de medicamentos continuam representando uma ameaça para a saúde pública nacional. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, na segunda-feira 15 de junho, a apreensão de um lote falsificado do hormônio do crescimento Criscy e de unidades de um medicamento oncológico provenientes de uma carga furtada na Europa.

Situações como essa evidenciam a importância do farmacêutico que atua em Assuntos Regulatórios e Vigilância Sanitária. Esses profissionais são responsáveis por identificar irregularidades, avaliar riscos, garantir a conformidade regulatória dos produtos e atuar rapidamente quando há suspeita de fraude, falsificação ou perda da rastreabilidade de medicamentos que podem colocar pacientes em risco.

O problema vai além do prejuízo financeiro causado às empresas. Medicamentos falsificados ou desviados podem ter composição desconhecida, armazenamento inadequado, perda de estabilidade ou até ausência do princípio ativo esperado. Em produtos utilizados para doenças graves, o impacto pode comprometer diretamente a eficácia do tratamento e a segurança do paciente.

Além disso, a crescente complexidade das cadeias globais de distribuição farmacêutica torna a vigilância cada vez mais desafiadora. Produtos fabricados em diferentes países, transportados por múltiplos operadores logísticos e distribuídos em larga escala exigem sistemas robustos de monitoramento e profissionais preparados para identificar rapidamente qualquer desvio que comprometa a integridade da cadeia de suprimentos.

Lote falsificado de hormônio do crescimento foi identificado no mercado

A primeira medida publicada pela Anvisa envolve o lote 22030133 do medicamento Criscy (somatropina), fabricado pela Cristália. O produto é utilizado no tratamento de deficiência do hormônio do crescimento em crianças e adultos, além de outras condições clínicas associadas ao desenvolvimento e ao metabolismo.

Segundo a agência, a própria fabricante identificou no mercado unidades com características incompatíveis com o produto original. Entre as irregularidades encontradas estavam datas de fabricação e validade divergentes das registradas pela empresa, além da utilização de um número de lote inexistente para o medicamento acabado.

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Essas inconsistências levaram à conclusão de que se tratava de um produto falsificado. Por esse motivo, a Anvisa determinou a apreensão das unidades e proibiu sua comercialização, distribuição e utilização em todo o território nacional.

A somatropina é um medicamento biológico produzido por tecnologia de DNA recombinante e exige rigoroso controle de fabricação, armazenamento e transporte. Qualquer alteração na origem do produto compromete sua segurança e eficácia terapêutica.

Medicamento contra câncer perdeu rastreabilidade após furto na Europa

A segunda ação sanitária determinada pela Anvisa atinge o lote 4A010AA27 do medicamento Kimmtrak, utilizado no tratamento de pacientes com melanoma uveal metastático, um tipo raro e agressivo de câncer que se origina nos olhos e pode se espalhar para outros órgãos.

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De acordo com a agência, a Medison Pharma Brasil, empresa responsável pelo registro do medicamento no país, comunicou que unidades desse lote identificadas no mercado tiveram origem em uma carga furtada na Europa.

Embora o produto seja autêntico, a perda do controle sobre a cadeia logística impede qualquer garantia sobre as condições de transporte, armazenamento e conservação durante o período em que esteve fora da cadeia regular de distribuição.

Diante da perda de rastreabilidade, a Anvisa determinou a apreensão das unidades e proibiu sua comercialização, importação, distribuição e utilização. A medida segue o princípio sanitário de que não é possível assegurar a qualidade de um medicamento quando há ruptura no controle de sua cadeia de custódia.

O que fazer em caso de identificação dos produtos

A Anvisa orienta que hospitais, clínicas, distribuidores e demais estabelecimentos de saúde a verificarem cuidadosamente os lotes dos medicamentos antes da utilização.

Os lotes proibidos são:

  • Criscy (somatropina): lote 22030133
  • Kimmtrak: lote 4A010AA27

Caso sejam identificadas unidades desses produtos, a orientação oficial é comunicar imediatamente o caso à vigilância sanitária local ou à própria Anvisa, permitindo que as autoridades adotem as medidas necessárias para rastrear a origem dos produtos e evitar novos riscos à população.

Vigilância sanitária depende de profissionais preparados

Atuar em Assuntos Regulatórios exige muito mais do que conhecer normas isoladas. O farmacêutico precisa interpretar legislações, acompanhar mudanças da Anvisa, organizar documentação técnica, conduzir processos de registro e pós-registro, dialogar com áreas internas da empresa e responder a exigências sanitárias com precisão.

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Essa rotina envolve decisões que impactam diretamente a regularização de medicamentos, cosméticos, suplementos, produtos para saúde, saneantes e outros produtos regulados. Um erro documental, uma leitura inadequada da norma ou uma falha no cumprimento de prazos pode atrasar lançamentos, comprometer operações e gerar prejuízos importantes para a indústria.

Por isso, o profissional regulatório ocupa uma posição estratégica. Ele conecta ciência, legislação, qualidade, produção, pesquisa, mercado e vigilância sanitária. Em um setor altamente regulado, essa capacidade técnica passa a ser valorizada pelas empresas, especialmente quando o farmacêutico domina processos complexos e consegue reduzir riscos.

Essa alta responsabilidade também se reflete na valorização profissional. Cargos em Assuntos Regulatórios podem oferecer salários mais elevados, principalmente em indústrias, consultorias, multinacionais e empresas que dependem de processos regulatórios robustos para lançar, manter ou expandir produtos no mercado.

Formação prepara para decisões regulatórias seguras

Para assumir esse papel, a experiência prática precisa caminhar junto com formação especializada. O mercado regulatório muda constantemente, e o farmacêutico precisa acompanhar novas resoluções, guias, exigências técnicas, fluxos de submissão, processos de fiscalização e estratégias de regularização.

A Pós-graduação em Assuntos Regulatórios da Indústria Farmacêutica do ICTQ oferece ao farmacêutico as ferramentas necessárias para atuar nesse ambiente. O programa prepara o profissional para interpretar normas, organizar processos, elaborar estratégias regulatórias e compreender a interface entre empresa, produto e autoridade sanitária.

Quando a segurança da população e a competitividade da indústria estão em jogo, o diferencial está na qualificação. O farmacêutico preparado para atuar em Assuntos Regulatórios ocupa um espaço cada vez mais importante na proteção da saúde pública e no desenvolvimento do setor farmacêutico.

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