Anvisa aprova medicamento injetável que previne HIV em quase 100%

Anvisa aprova medicamento injetável que previne HIV em quase 100%

Embora também seja para evitar uma infecção, o medicamento não é uma vacina pois não induz a produção de defesas do sistema imunológico e precisa ser administrado a cada 6 meses para manter proteção.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira, o lenacapavir, primeiro medicamento injetável a cada seis meses que previne a infecção pelo HIV em quase 100%. O fármaco, que será vendido sob o nome comercial de Sunlenca, foi desenvolvido pelo laboratório Gilead Sciences e já havia recebido o aval nos Estados Unidos e na Europa.

O sinal verde foi para uso como profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenir a infecção entre pessoas que não vivem com HIV, tenham idade acima de 12 anos, peso maior que 35 kg e teste negativo para o vírus. Embora também seja para evitar a contaminação, o medicamento não é uma vacina pois não induz a produção de defesas do sistema imunológico e precisa ser administrado a cada 6 meses para manter proteção.

Hoje, já existe uma estratégia de PrEP, disponível inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017, mas que envolve comprimidos diários. Eles também reduzem o risco de uma infecção a quase zero, mas o fato de precisarem ser tomados todos os dias é um entrave para a adesão.

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Lenacapavir é uma vacina?

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como parte da estratégia de prevenção combinada, que mistura diferentes ferramentas, como uso de preservativo, testagem e PrEP. Na época, a organização chamou a medida de “uma ação política histórica que poderia ajudar a remodelar a resposta global ao HIV”.

Enquanto uma vacina contra o HIV continua fora de alcance, o lenacapavir é a melhor alternativa: um antirretroviral de longa duração que, em testes, demonstrou prevenir quase todas as infecções por HIV entre pessoas em risco — disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, no lançamento das diretrizes.

O lenacapavir não é uma vacina porque, assim como a PrEP em comprimidos, não induz o sistema imunológico a produzir anticorpos e células de defesa contra o HIV. Ele é um antiviral que bloqueia os "caminhos" que o vírus utiliza para se replicar e, para isso, precisa permanecer em constante circulação no organismo.

— Vacina é uma substância que administramos para desenvolver no corpo da pessoa uma resposta imunológica. Caso ela venha a ter contato com o agente causador de doença, é essa resposta prévia induzida pela vacina que vai combatê-lo. A PrEP não. É um medicamento, usado também no tratamento, que, nesse caso, é administrado para, caso a pessoa tenha contato com o vírus, não dar tempo de ele se desenvolver no organismo porque o medicamento já vai estar circulando no sangue da pessoa — explica José Valdez Madruga, investigador principal de estudos clínicos na Casa da Pesquisa do Centro de Referência em Treinamento para DST/AIDS de São Paulo e coordenador do comitê de HIV/Aids e ISTs da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

De forma mais detalhada, uma vacina é feita com o material genético de um vírus ou bactéria para que o sistema imune o reconheça a partir daquele fragmento e, com isso, passe a produzir as defesas contra ele. Dessa forma, simula a exposição àquele agente infeccioso para gerar a resposta imune, que se mantém ao longo do tempo.

Já no caso da PrEP, é um remédio que não induz uma resposta ativa do sistema imunológico. Ele combate o vírus diretamente, sendo usado também para tratar pessoas que já vivem com a infecção. Nessa estratégia, o objetivo é manter a droga em constante circulação no sangue para, se a pessoa entrar em contato com o HIV, ela já estar presente e rapidamente atacá-lo, antes mesmo que ele se instale e cause a infecção.

Por isso, caso a administração da PrEP seja interrompida, a proteção desaparece. Já as vacinas, por outro lado, podem até demandar novas doses de reforço para elevar a resposta do sistema imune ao longo do tempo, mas a proteção em algum nível se mantém duradoura.

— No caso do HIV, a PrEP ganha ainda mais relevância porque, até hoje, não conseguimos desenvolver uma vacina eficaz, devido às características muito complexas do vírus. Por isso, a PrEP injetável, especialmente agora com opções de longa duração como o lenacapavir, representa uma solução altamente eficaz e realista, enquanto a ciência continua buscando uma vacina — diz Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).

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