A atuação de plataformas digitais no varejo farmacêutico voltou ao centro do debate regulatório após a Abrafarma denunciar à Anvisa a operação da Rappi com estruturas conhecidas como “dark stores”. Esses espaços funcionam como pontos de armazenamento fechados ao público, utilizados para agilizar entregas, mas que, segundo a entidade, estariam operando sem fiscalização adequada.
O caso ganhou força após a apresentação de um dossiê com registros de um ponto em São Paulo que, na prática, operava como um local improvisado para armazenamento e distribuição de medicamentos. A denúncia levanta uma questão direta: quem está garantindo que esses produtos estão sendo armazenados corretamente antes de chegar ao paciente?
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Venda digital cresce mais rápido que a regulação
O avanço das plataformas digitais criou um novo canal de acesso a medicamentos, com conveniência e velocidade como principais atrativos. O problema é que esse crescimento não foi acompanhado, na mesma velocidade, por mecanismos de controle capazes de assegurar a qualidade e a segurança desses produtos.
A Abrafarma também alertou para a presença crescente de medicamentos irregulares, falsificados ou sem registro sendo comercializados em ambientes digitais. Sem controle rigoroso sobre origem, armazenamento e transporte, o risco deixa de ser teórico e passa a ser real.
A Anvisa já sinalizou que o tema está em análise e deve avançar com maior celeridade, o que indica que mudanças regulatórias podem surgir nos próximos meses.
O risco não está só no produto, mas no uso
Quando o acesso ao medicamento se torna mais fácil e menos mediado, outro problema aparece com força: o uso sem orientação adequada.
A compra rápida, muitas vezes impulsiva, somada à ausência de acompanhamento profissional, abre espaço para automedicação, uso inadequado e combinação incorreta de substâncias.
O medicamento chega mais rápido, mas a orientação nem sempre acompanha esse processo.
Onde o farmacêutico clínico entra nesse cenário
É nesse ponto que o farmacêutico clínico passa a ter um papel ainda mais relevante. Ele não atua apenas na dispensação, mas na orientação, na análise do perfil do paciente e na prevenção de riscos associados ao uso de medicamentos.
Na prática, isso significa identificar interações medicamentosas, avaliar a necessidade real do tratamento, evitar uso inadequado e orientar sobre posologia, efeitos adversos e duração do tratamento.
Em um cenário onde a compra pode acontecer em poucos cliques, a atuação do farmacêutico se torna uma das últimas barreiras entre o paciente e um possível uso incorreto.
Além disso, o profissional também atua no combate à autoindicação indiscriminada, que tende a crescer quando o acesso ao medicamento se torna mais desregulado.
A diferença entre acesso e segurança está na orientação
Facilitar o acesso é importante, mas sem acompanhamento técnico, o risco aumenta. O paciente pode até conseguir o medicamento com rapidez, mas sem orientação adequada, as chances de erro no uso crescem na mesma proporção.
É nesse equilíbrio que o farmacêutico clínico se posiciona. Ele transforma o acesso em cuidado, evitando que a facilidade se converta em problema.
Capacitação define a qualidade dessa atuação
Com a transformação do varejo farmacêutico e o avanço das plataformas digitais, o nível de exigência sobre o farmacêutico também aumenta. Não basta conhecer o medicamento. É preciso saber interpretar cenários, orientar pacientes e tomar decisões clínicas seguras.
A Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica do ICTQ prepara o profissional para esse contexto. O curso desenvolve competências voltadas à avaliação clínica, orientação ao paciente, identificação de riscos e atuação segura dentro dos limites da prescrição farmacêutica.
Em um mercado onde o acesso se torna cada vez mais rápido, a qualidade da orientação passa a ser o principal diferencial na segurança do paciente.
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