Mercado de GLP-1 mostra sinais de acomodação, mas vendas de Mounjaro seguem em patamar bilionário

Mercado de GLP-1 mostra sinais de acomodação, mas vendas de Mounjaro seguem em patamar bilionário

O mercado brasileiro de medicamentos GLP-1, classe que inclui as chamadas canetas emagrecedoras, começou a mostrar sinais de acomodação após um período de forte expansão impulsionado pela chegada do Mounjaro e pela consolidação de marcas como Ozempic e Wegovy. Segundo análise do Banco XP, os dados mais recentes de importação indicam dois meses consecutivos de volumes mais fracos, movimento que pode refletir um ajuste dos canais de distribuição diante de uma demanda mais normalizada.

De acordo com o XP GLP-1 Tracker, baseado em dados de junho da Secretaria de Comércio Exterior, as importações trimestrais de medicamentos associados à classe caíram 47% em relação ao trimestre anterior. Apesar da retração, o volume permaneceu estável na comparação anual, em cerca de R$ 2,1 bilhões. Em 12 meses, as importações somaram R$ 11,4 bilhões, avanço de 90% na comparação anual, embora com queda mensal de 2%.

Para o Banco XP, o recuo recente deve ser lido como “marginalmente negativo”, mas não necessariamente como perda estrutural de força do mercado. A instituição avalia que os números podem estar refletindo mais um ajuste de estoque e de canal do que uma desaceleração relevante da demanda final. “Os dados de junho da SECEX indicam dois meses consecutivos de volumes de importação mais fracos, possivelmente refletindo um ajuste de canal em direção a uma demanda mais normalizada por Mounjaro”, aponta o relatório.

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O Mounjaro, medicamento da Eli Lilly à base de tirzepatida, aparece no centro dessa leitura. As importações vindas dos Estados Unidos, Alemanha e Itália, países usados como proxy para acompanhar o produto, somaram R$ 267 milhões em junho, queda de 23% na comparação anual. No segundo trimestre de 2026, o total chegou a R$ 1,8 bilhão, alta de 178% sobre o mesmo período do ano anterior, ainda beneficiada por uma base comparativa mais baixa, já que o medicamento foi lançado no Brasil em meados do segundo trimestre de 2025. Frente ao primeiro trimestre de 2026, porém, houve queda de 48%, após volumes mais fortes observados especialmente em março.

Ainda assim, a XP pondera que seus levantamentos de canal não apontaram, até maio, o mesmo grau de desaceleração nas vendas ao consumidor final. A leitura é que parte do movimento pode estar relacionada à recomposição dos estoques após importações robustas em março e abril. Segundo o banco, sua proxy de vendas sell-in do Mounjaro segue em níveis sólidos, entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões, enquanto o sell-out pode ter se aproximado de R$ 1 bilhão em vendas mensais até maio.

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Outro ponto relevante é que os dados de importação não capturam os genéricos, apontados pela XP como um dos possíveis vetores adicionais de crescimento para o mercado de GLP-1 nos próximos meses. A entrada de versões genéricas, especialmente ligadas à semaglutida, tende a ampliar a concorrência, pressionar estratégias comerciais e abrir novas frentes de acesso para pacientes e consumidores.

No caso da Novo Nordisk, as importações da Dinamarca apresentaram leve melhora sequencial, embora ainda permaneçam em patamares mais baixos. Para o Banco XP, esse avanço pode refletir algum efeito da estratégia recente de vendas combinadas da companhia, em um momento de maior competição no mercado. O relatório também observa que abordagem semelhante foi adotada pela Lilly antes do lançamento dos genéricos de semaglutida, o que pode se refletir futuramente nas vendas do Mounjaro.

A metodologia do XP GLP-1 Tracker utiliza dados da SECEX para estimar a evolução das importações de medicamentos GLP-1 no Brasil. A análise considera os Estados Unidos, Alemanha e Itália como países de referência para o acompanhamento do Mounjaro, por estarem associados à bula do medicamento, e a Dinamarca como proxy para produtos da Novo Nordisk, principalmente Ozempic, Wegovy e Rybelsus.

Embora a XP reconheça limitações na leitura, já que os dados não permitem isolar especificamente todos os medicamentos GLP-1, o banco avalia que as mudanças no padrão de importações ajudam a capturar a dinâmica de um mercado que se tornou um dos mais relevantes da indústria farmacêutica. O cenário, portanto, não aponta para uma interrupção da expansão, mas para uma nova fase de competição, ajuste de estoques e normalização após a forte corrida inicial pelas terapias injetáveis para obesidade e diabetes.

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