Normalmente usadas na culinária devido às suas propriedades, as algas marinhas também têm potencial para impedir infecções por norovírus, ao criar uma barreira protetora no corpo. A contaminação causada pelo microrganismo é a responsável por provocar gastroenterite aguda, uma condição caracterizada por náuseas, vômitos, diarreia aquosa, febre, dores no estômago, de cabeça e musculares.
Atualmente, não há vacinas ou tratamentos antivirais capazes de combater o norovírus humano. Estima-se que ele cause mais de 685 milhões de infecções por ano pelo mundo todo. A descoberta da capacidade das algas é importante para prevenir novos surtos.
O achado sobre os organismos marinhos foi liderado pela Universidade Griffith e a empresa de biotecnologia Marinova, ambas da Austrália. Os resultados foram publicados na revista Microbiology Spectrum nessa segunda-feira (9/3).
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Como as algas marinhas agem contra a gastroenterite
A investigação focou nos compostos de algas marinhas verdes e marrons. O objetivo era analisar se eles conseguiam bloquear a gastroenterite ainda nos primeiros estágios infecciosos. Em comunicado, o autor principal do estudo, Grant Hansman, explica que, para nos contaminar, o norovírus se liga a moléculas no intestino chamadas antígenos de grupos sanguíneos histológicos (HBGAs).
Durante testes, a equipe verificou se o fucoidan, composto das algas marrons, e ulvan, composto das algas verdes, eram eficazes para atrapalhar a ligação de partículas semelhantes ao norovírus a amostras de saliva humana com HBGAs.
“O fucoidan, extraído de algas marrons, demonstrou a atividade de bloqueio mais forte e consistente contra duas cepas principais de norovírus, GII.4 e GII.17”, afirma Hansman.
Segundo o pesquisador, o próprio composto das algas marrons se liga ao ponto de fixação do HBGA, formando uma barreira de proteção e dificultando a ação do vírus.
Os próximos passos devem focar em como o fucoidan pode ser produzido de forma que seus efeitos protetores sejam maximizados. O composto já é utilizado em alguns suplementos alimentares atuais e demonstrou ter boa aceitação em estudos com humanos.
“Nosso estudo destaca que o fucoidan pode ser um tratamento natural promissor para a prevenção da infecção por norovírus”, aponta o coautor do estudo, Thomas Haselhorst, da Universidade Griffith.
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