Metrologia garante confiabilidade e segurança nas medições laboratoriais

Domingo, 27 de fevereiro de 2011

A metrologia abrange todos os aspectos teóricos e práticos relativos às medições, qualquer que seja a incerteza, em quaisquer campos da ciência ou da tecnologia.

O resultado de uma medição séria deve exprimir o nível da confiança que é depositado pelo experimentador. Como é impossível obter uma medida exata, o erro provável envolvido deve sempre ser informado. Existem diversos procedimentos e técnicas com as quais é possível determinar o nível da confiança de um resultado. Porém, bom senso e ceticismo são características adicionais indispensáveis a quem se dispõe a medir. A regra é “duvidar sempre, até que se prove o contrário”.

A qualidade de uma medição se avalia pelo nível dos erros envolvidos. Porém nem sempre se deve buscar o “melhor” resultado, com mínimos erros. Depende da finalidade à qual se destinam estes resultados. Aceitam-se erros de ± 20g em uma balança de uso culinário, porém estes erros não podem ser aceitos caso se deseje medir massa de pepitas de ouro.

Medir com mínimos erros custa caro. À medida que se desejam erros cada vez menores, os custos se elevam exponencialmente. A seleção do Sistema de Medição a empregar é, portanto, uma ação de elevada importância que deve equilibrar as necessidades técnicas com os custos envolvidos.

O processo de medição começa na escolha dos instrumentos adequados para o processo, pois precisão e exatidão são fundamentais para uma medição segura dentro das incertezas que o processo permite sem impactos significativos. Podemos observar este impacto através da calibração do instrumento. Se, neste parágrafo, alguns termos não fazem parte do seu vocabulário, é importante conhecer os termos metrológicos oficiais reunidos no Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM).

Após a aquisição correta do instrumento para nosso processo vem a hora da calibração do mesmo, pois só assim podemos saber a situação real do instrumento. A calibração é hoje dentro da metrologia uma etapa essencial, pois através dos seus resultados poderemos validar o seu uso ou não. Para que a calibração seja reconhecida e aceita, precisamos garantir a rastreabilidade das medições através do Sistema Internacional de Unidades (SI) e evidenciar essa rastreabilidade por meio do uso de laboratórios acreditados pela Cgcre/Inmetro. A Coordenação-Geral de Acreditação do Inmetro participa de acordos internacionais de reconhecimento mútuo, o que favorece a aceitação de certificados e resultados emitidos dentro desses sistemas de acreditação. Muitas vezes procuramos realizar a calibração internamente visando rapidez e redução de custos, porém isto pode ter sérias consequências, pois normalmente os laboratórios de ensaios sabem utilizar o instrumento, mas não necessariamente conhecem todos os princípios necessários para realizar uma calibração segura. Lembre-se de que foi criada uma norma específica para demonstrar a competência destes laboratórios, a ABNT NBR ISO/IEC 17025, utilizada como referência para acreditação de laboratórios de ensaio e calibração pela Cgcre/Inmetro.

Não basta calibrar respeitando todas as recomendações citadas, pois mesmo assim o instrumento pode estar impróprio para o uso no laboratório. Lembre-se: calibração não é sinônimo de ajuste ou de instrumento bom, e sim um ato de comparação entre um instrumento de referência e o instrumento em calibração. É muito comum hoje se comprar um instrumento em um fabricante e enviá-lo para outra empresa para calibrá-lo e, após a calibração, descobrir que o instrumento não atende à especificação de fabricação/necessidade interna, como pode ocorrer com vidrarias de laboratório.

Por este motivo é que precisamos avaliar os certificados recebidos quanto às questões referentes ao conteúdo mínimo necessário e aos resultados. Para isto, o laboratório deve definir critérios para aceitação dos instrumentos para seu uso. Durante a aula é importante que o aluno traga certificados de calibração reais para a avaliação, para avaliarmos seu conteúdo.

Os laboratórios de ensaios analíticos possuem alguns pontos conflitantes no quesito metrológico, como erros comuns no uso de alguns instrumentos, calibração interna não segura, cálculos errados, influências ambientais não contempladas, entre outras não conformidades. Para isto, abordaremos em sala de aula as complexidades do uso de alguns instrumentos como balança, vidraria, medidor de pH, manômetro e termômetros.

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Marcus Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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