Rastreabilidade de medicamentos reforça combate ao roubo de cargas e amplia segurança

Terça-feira, 27 de outubro de 2015

Segundo levantamento da Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), a região Sudeste concentra historicamente a maior parcela das ocorrências de roubo de cargas no País. Entre os Estados, São Paulo aparece entre os principais focos desse tipo de crime. Produtos alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos e farmacêuticos estão entre as cargas mais visadas.

A área de mais risco para furtos e roubos nas estradas paulistas está em um raio de 100 quilômetros da capital. “A dimensão da malha rodoviária de São Paulo, com 32 mil quilômetros de vias, é um dos fatores que facilitam a ação dos criminosos”, ressalta a professora de Pós-Graduação no ICTQ – Instituto de Pesquisas e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico e diretora conselheira Fiscal da Associação Nacional de Farmacêuticos Atuantes em Logística (Anfarlog), Elaine Manzano.

Ainda de acordo com a NTC&Logística, grande parte dos ataques de criminosos se concentra em áreas urbanas, durante coleta e entrega de mercadorias, enquanto outra parcela ocorre em rodovias. Para o assessor de segurança da instituição, coronel Paulo Roberto de Souza, o prejuízo nas rodovias tende a ser maior devido à quantidade e ao valor das mercadorias. Ele explica também a forma de ação das quadrilhas: “nas áreas urbanas, os criminosos agem em semáforos, postos de entrega e invadindo depósitos de carga, que estão se transformando em verdadeiras fortalezas. Nas rodovias, eles usam estratégias para paralisar os veículos, desde falsas barreiras policiais até abordagens em movimento e enfrentamento policial”, conta ele.

Elaine explica que o medicamento é muito visado por ter alto valor agregado. Além disso, os roubos são executados por encomenda, ou seja, há quadrilhas especializadas neste tipo de crime. “Existe muita dificuldade no combate a esse tipo de delito, pois ações coordenadas e cooperativas não são desenvolvidas pelos órgãos fiscalizadores. As ações só são feitas de forma isolada”, comenta Elaine.

Segundo o consultor GRIs em Trânsito e Transporte, coronel Marco Bellagamba, o roubo de cargas é produto de uma série de circunstâncias resultantes da deficiência da prevenção, da inibição de determinados crimes e até mesmo da falta de legislação adequada para fazer frente ao acontecimento dos fatos criminosos.

Dessa forma, ocorrem prejuízos em toda a cadeia de distribuição, desde o fabricante, distribuidor e varejista, pois o medicamento pode ser roubado no transporte ou mesmo dentro do estabelecimento. Vale lembrar que os centros logísticos são visados e se concentram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e, atualmente, existe um crescimento na região Nordeste.

Rastreabilidade de medicamentos

Em resposta às inúmeras ocorrências relatadas, o sistema de rastreabilidade de medicamentos foi concebido para ampliar o controle da cadeia e permitir o acompanhamento da movimentação dos produtos farmacêuticos. O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos foi criado pela Lei nº 11.903/2009, com previsão de utilização de tecnologias de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados.

À época, a regulamentação determinava que a indústria utilizasse identificação individualizada nas embalagens dos medicamentos. A RDC nº 54/2013 definiu o código bidimensional DataMatrix e o Identificador Único de Medicamentos (IUM) como elementos do sistema de rastreamento.

Cada parte envolvida na cadeia de distribuição deveria dispor de tecnologia para leitura desses códigos e assegurar o registro das movimentações dos medicamentos ao longo da cadeia.

Para Elaine, entre os impactos logísticos para o setor, ocorrerá maior eficiência na gestão e no controle dos processos operacionais e da cadeia de abastecimento, minimizando custos operacionais, rupturas de abastecimento e potencializando a disponibilidade de produtos para venda.

A indústria arcará com parte relevante do custo para a implementação da rastreabilidade. Os demais envolvidos, como distribuidores, farmácias e hospitais, também terão de fazer investimentos em equipamentos de leitura e sistemas capazes de registrar as movimentações dos produtos.

De acordo com a regulamentação vigente à época, o Identificador Único de Medicamentos deveria reunir dados como número de registro do medicamento na Anvisa, número serial, data de validade e número do lote. O código de barras bidimensional DataMatrix permitia a captura eletrônica dessas informações ao longo da cadeia.

Importância do farmacêutico

“Um produto que tenha sido alvo de furto ou roubo pode ser adulterado antes de chegar a uma farmácia ou drogaria e prejudicar o consumidor final”, fala Elaine. O farmacêutico tem o importante papel de treinar os funcionários para identificar produtos falsificados e também estabelecer procedimentos para o recebimento dos medicamentos.

Ele deve fazer cumprir a legislação sanitária no local no qual assume a responsabilidade técnica. Dessa forma, o recebimento dos medicamentos deve seguir procedimentos por ele determinados, como inspeção física da carga verificando se existem sinais de adulteração ou falsificação, recebimento de mercadorias com a nota fiscal, qualificação do fornecedor e, principalmente, fazer cumprir as Boas Práticas no estabelecimento, entre outras atividades.

Nota editorial: Este conteúdo foi produzido originalmente pela equipe de jornalismo e conteúdos do ICTQ, com autoria de Marcus Andrade e revisão técnica do Diretor Acadêmico Ismael Rosa, CRF-GO 7311.

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