Prevenção é o caminho para evitar intercorrências em farmácia estética

Prevenção é o caminho para evitar intercorrências em farmácia estética

A farmácia estética tem uma regulamentação considerada recente, de 2013, mas tem crescido e atraído cada vez mais a atenção dos farmacêuticos que buscam sair do lugar comum, se desafiar e, principalmente, ser donos do próprio negócio. Sai na frente aquele que melhor se capacitar e que tem o foco na prevenção de possíveis intercorrências.

Das possibilidades de atuação há os procedimentos corporais, como carboxiterapia, intradermoterapia, secagem de vasos, tratamento de estrias e celulites; faciais, como aplicação de toxina botulínica, preenchimentos, bioestimuladores, peelings, microagulhamento; e capilares, a exemplo de processos de cuidado e prevenção da calvície e alopecia.

Contudo, em todos os tratamentos que englobam a saúde e a estética, são exigidos cuidados especiais por parte do profissional para atender melhor aos clientes e ter uma reputação positiva no mercado. São hábitos eficientes de segurança que contribuem para proteger o trabalho do farmacêutico esteta, garantindo o melhor para ele e, obviamente, para os pacientes.

Porém, como em todos os procedimentos, pode ser que algo saia do controle. As intercorrências não devem ser rotineiras, mas não são impossíveis de ocorrer. Sua prevenção é o melhor caminho, mas, se elas acontecerem, a maneira como o farmacêutico contornará a situação diz muito sobre ele.

Intercorrências nada mais são do que acontecimentos inesperados que podem ocorrer depois de alguns procedimentos estéticos, especialmente por reações alérgicas a alguns produtos usados que possam incomodar, atrapalhar e apresentar resultados negativos nos pacientes.

“De modo geral todo procedimento não invasivo ou minimamente invasivo estético tem chances de oferecer intercorrências. Como o próprio nome diz, são fatores que variam, sofrem irregularidades ou mudanças durante um processo que seria normal pós-procedimento estético. Porém, nem sempre essas intercorrências atrapalham o resultado final do procedimento quando identificadas, acompanhadas e solucionadas, seguindo protocolos pelo profissional e também pelo paciente”, explica o farmacêutico bioquímico esteta e consultor, Rogério Mendonça.

Para o professor especialista em Farmacoterapia Estética e em Saúde Estética, Pedro Henrique Alves, uma intercorrência é possível, mas o profissional bom é aquele que sabe resolvê-la. Alves destaca procedimentos como preenchimentos labial ou sulco nasogeniano, rinomodelação e aplicação de toxina botulínica, que requerem que o paciente não vá a academia ou faça esforço físico pelas 72 horas seguintes. Esse indivíduo também não pode ingerir nenhum medicamento com base em acetilsalicílico.

O especialista relata a importância de uma adequada avaliação do paciente antes da realização de qualquer procedimento estético. É preciso estar saudável, não apresentar nenhum processo alérgico, não possuir doença autoimune nem estar em processo de lactação.

De acordo com o especialista em Farmácia Estética e Análises Clínicas e coordenador da pós-graduação em Farmácia Estética Clínica do ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, Pedro Sousa, é de extrema importância o farmacêutico esteta habilitado ter o correto treinamento em relação às técnicas utilizadas em estética corporal, pois em uma das estratégias mais utilizadas para redução de gordura localizada, que é a intradermoterapia, o profissional pode utilizar uma substância chamada desoxicolato de sódio, se administrada de maneira incorreta pode causar danos ao paciente.

Ele conta que é importante também o profissional entender os diversos planos de aplicação de compostos nas estratégias de procedimentos minimamente invasivos, além das corretas substâncias que podem ser utilizadas em técnicas específicas.

“Alguns componentes, como o próprio desoxicolato de sódio, podem ser utilizados na hipoderme, camada onde se encontram os adipócitos, mas jamais de forma superficial. Pode parecer bobagem, mas o entendimento profundo das bases fisiológicas e dos procedimentos reduz significativamente a ocorrência de intercorrências. É claro que ninguém está livre delas, costumo ouvir vários profissionais relatando que, só tem intercorrência quem realiza procedimento, ou seja, mesmo sendo eventos esporádicos e raros, podem acontecer, e cabe ao profissional estar apto para lidar com essas situações”, relata Sousa.

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Importância da anamnese

Na ficha de anamnese, o paciente é convidado a preencher todos os dados referentes à sua saúde e, ao final, ele assinará um termo de compromisso, dando ciência de que tudo que está assinalado no documento é verdadeiro. Isso respalda o farmacêutico em caso de um incidente. Antes de retornar para casa, o paciente recebe uma ficha com recomendações do que pode e não pode fazer e o farmacêutico fará um acompanhamento nas primeiras 48 horas.

“Atualmente os procedimentos minimamente invasivos ficaram cada vez mais comuns, acessíveis, assim como pacientes que exageram nas quantidades de substâncias aplicadas, tanto na face quanto no corpo. É no processo de anamnese que conseguimos identificar o que já foi realizado pelo paciente, quando foi, o que foi utilizado, a técnica utilizada, entre outros. A anamnese tem papel muito importante para que o paciente cite patologias, alergias, hábitos, uso de medicações, procedimentos anteriores já realizados. É fundamental, nessa etapa, que o paciente seja 100% sincero com o profissional. A anamnese deve ser feita da forma bem abrangente para colher informações necessárias para assegurar ao profissional, e ao próprio paciente, que os procedimentos sejam realizados com menores chances de intercorrências”, afirma Mendonça.

Segundo ele, toda intercorrência deve ser identificada ainda no início de suas alterações sensoriais e fisiológicas pós-procedimentos. Por mais que o profissional tenha toda a segurança em seu trabalho e técnica, as primeiras 24-48 horas são de suma importância para identificar uma intercorrência.

O contato com o paciente é imprescindível. Não sendo possível uma consulta de retorno no dia seguinte, é interessante pedir fotos ao paciente da região tratada, assim como fazer perguntas claras e objetivas a ele para acompanhar a evolução do prognóstico.

Mesmo com toda a segurança, técnica e prática com que trabalha, Mendonça diz preferir sempre seguir com cautela e dizer aos seus pacientes que menos é mais. “Gosto de ouvir seus objetivos com os procedimentos, porém nem sempre o melhor a seguir é concretizar seus ideais ou deixá-los como aquela foto que muitas vezes os acompanham e eles nos mostram, e sim o que a anatomia humanizada de cada paciente nos possibilita fazer, respeitando os limites de cada um e suas individualidades”, garante o farmacêutico bioquímico esteta e consultor.

Formação constante

O farmacêutico esteta conduz seu foco de ação a recursos estéticos e terapêuticos, sempre objetivando diminuir possíveis intercorrências, o que confere um aumento da qualidade de seus serviços. O profissional deve estar sempre em constante formação acadêmica.

“Profissional que não tem especialização não pode atuar com farmácia estética. Se ele for denunciado no Conselho de Farmácia de sua região ele poderá ser autuado por exercício ilegal da profissão”, garante Alves.

Como áreas de risco para possíveis intercorrências, o especialista em Farmacoterapia Estética e em Saúde Estética elenca preenchimentos – que se mal feitos, sem as técnicas corretas, podem atingir algum nervo, vaso, causar trombose; e bioestimuladores. “Por isso a necessidade de se possuir uma especialização, cursos de atualização, de pequena extensão para se ter domínio do que se está fazendo”, reitera Alves.

Mendonça complementa, dizendo que é muito necessário um conhecimento e estudo anatômico individualizado do paciente na hora de qualquer aplicação, seja uma toxina botulínica, preenchedor, bioestimulador, skinbooster ou fios. Cada intercorrência, caso ocorra, deve ser tratada, não apenas com uso de medicações, mas também com eletroterapia, massagens e demais recursos necessários para reverter o quadro.

“A consulta avaliativa desse paciente, candidato a tal procedimento, deve ser extremamente explícita, deve-se questioná-lo ao máximo e saber muitas vezes interpretar o que ele vem buscar no consultório. Mostrar a ele sua beleza natural, que só precisa, muitas vezes, ser realçada, devolver aquilo que ele já perdeu cronologicamente. Desconstruir um estereótipo de beleza”, conclui o farmacêutico bioquímico esteta e consultor.

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